TRECHO:

A argumentação favorita para ser usada quando se fala da falta de profissionais mulheres no mercado de TI costuma ser “falta interesse da parte das mulheres”. Não é preciso estar sondando as fronteiras da genialidade para fazer um raciocínio rápido: se 79% das mulheres abandona o curso no primeiro ano, pode ser que o problema esteja no curso e não nas mulheres. E não no curso em si, enquanto metodologia, mas sim no ambiente encontrado pelas mulheres que se aventuram numa carreira preponderantemente masculina: é ridiculamente fácil dizer que as mulheres não se esforçam o suficiente ou não têm pendor para as ciências exatas quando se ESCOLHE ESQUECER que por ser minoria em qualquer lugar é uma tarefa que pode variar do difícil até o debilitante. Acreditar que os 79% de mulheres desistem dos cursos de TI por desilusão, preguiça e incompetência e que tudo isso não tem relação nenhuma com o ambiente é de uma inocência quase que enternecedora.

O segundo argumento mais usado é tão antigo que poderia ser datado por carbono-14: “as inteligências dos homens e das mulheres são diferentes e é por isso que elas tendem a preferir as carreiras de humanas às de exatas”. Essa questão já foi e continua sendo discutida até a exaustão por leigos e cientistas e as opiniões costumam ser divididas: existe diferença entre as inteligências masculina e feminina? As pesquisas vêm sendo feitas e ainda não existe uma resposta razoável para a indagação, mas algumas descobertas podem fazer com que as pessoas que se valem desse argumento passem a usá-lo com mais parcimônia: os testes de QI — que vêm perdendo seus tronos à medida que as teorias das MÚLTIPLAS inteligências avançam — foram um reino masculino por mais de um século, mas James Flynn, um pesquisador neozelandês considerado um dos maiores especialistas do mundo em testes de medição de quociente de inteligência, mostrou numa pesquisa que a supremacia intelectual masculina já não é mais a mesma quando se trata de lógica: depois de testar europeus, americanos, australianos, neozelandeses e estonianos e argentinos, ele concluiu que na maior parte das vezes as…

mulheres vencem os homens.

 

http://m.gizmodo.uol.com.br/especial-a-mulher-no-mercado-de-tecnologia/

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