Outro dia na faculdade, conversava com o Professor Carlos Eduardo Camara, da UniAnchieta (Jundiaí/SP), sobre as dificuldades ou preconceitos que a gente enfrenta por ser mulher na área de T.I. Ele é o melhor professor que já me deu aula, sempre comenta sobre esses assuntos de machismo. É aquele tipo de pessoa que acredita que todo mundo seja capaz, independente de gênero, entende? Fica puto quando alguém pratica algum tipo de preconceito, ainda mais na área de T.I.  Então ele me passou alguns links sobre mulheres na computação e foi quando encontrei esse blog sobre o Machismo em T.I.

Logo que vi, eu quis muito compartilhar uma coisa que aconteceu na minha faculdade, uma coisa bem parecida com o que é postado aqui nesse blog. Eu fiz um curso de Técnico em Informática, continuei na área, e hoje faço curso de Sistemas de Informação. Nesse semestre a faculdade lecionou a Semana da Tecnologia, realizando algumas palestras para os alunos.

Uma dessas palestras foi sobre a importância das práticas de gerenciamento de projeto.
Era um professor ótimo, de engenharia e projetos, bem conceituado, e que eu sempre respeitei e admirei. Porém, ele pecou muito no momento em que começou a realizar certas comparações bastante absurdas:

-Falou claramente que quando começa um novo projeto não gosta de trabalhar com mulher, pelo fato de mulher só dar dor de cabeça, e concluiu com uma risadinha… (Oi?!?)

Ele comparou nós, Mulheres em T.I., com Chinas Velhas, que na cidade dele significa puta!! Que a gente tem que ser igual a China Nova. (Meu Deus, agora perdeu a linha completamente…)

– E pra finalizar , como se não bastasse, fez a seguinte “analogia” (Patética!):
Perguntou: “Como se mata uma galinha? A galinha que não canta. E como você sabe qual galinha que não canta? A que não bota mais.” E concluiu ridiculamente: “Mulher é igual galinha quando não pode ter mais filhos.” (?!?!? Galinha? Ovos? Filhos??? MATAR!! Quanta viagem…)

Eu sempre soube, a Tecnologia, assim como qualquer outra área, seria cheia de desafios e que eu iria trabalhar com muitos homens. Porém, isso não quer dizer que só os homens têm toda a capacidade do mundo, e que todas as mulheres não têm nenhuma, ou que todos os homens têm capacidade para estarem ali. Ou pior ainda, se a mulher errou é porque é burra, se entrou numa empresa é porque está fazendo sexo com o chefe… Essas coisas absurdas assim.

Não gostei nada dos exemplos e comparações que esse “professor” realizou, ainda mais em uma palestra com 60 pessoas, onde tinham apenas 6 mulheres. Já tive aula com ele anteriormente e também nunca gostava dos comentariozinhos machistas que ele realizava dentro da sala de aula. Mas acabava deixando passar e não reclamando, porque ficava tão chateada que para mim não era algo que valia a pena discutir.  E como ele não ia mais dar aula para mim, eu achei melhor deixar pra lá.

Mas quando foi ministrada uma Palestra! com comentários totalmente desnecessários, machistas, os quais me fizeram sentir TOTALMENTE desconfortávelme sentindo um lixo mesmo! Me fazendo duvidar até da minha própria capacidade como profissional e como mulher, pois se um professor experiente, que eu respeitava, fala um coisa dessas, eu automaticamente começo a acreditar que mulher não tem mesmo capacidade de trabalhar nessas partes gerenciais dos projetos de software

Alguns homens da platéia até que davam risada, mas os que já conheciam as aulas do palestrante concordavam que não têm necessidade esses tipos de comentários, não achavam mais engraçado e já nem prestavam mais tanta atenção na palestra.

Eu fiquei puta da vida, mas fiquei na minha porque até então achava que só eu tinha me sentido desconfortável com o que ele falou. Mas quando eu conversei com a outra colega da minha sala e ela falou que se sentiu assim também, então eu não consegui mais ficar quieta. No mesmo dia fomos até o “professor” palestrante para tentar conversar, mas ele meio que deu um “migué” e saiu fora. Eu acabei deixando para lá novamente. Estava tão brava na hora que se fosse confrontá-lo, talvez ia acabar falando coisa que me fizesse perder a razão. Fui então conversar com uma outra aluna do curso de Sistemas de Informação, que já está no quarto semestre e que também estava na palestra. Confirmei, tanto ela quanto mais uma outra também não gostaram nada do que ouviram… Aí me senti mais segura e resolvi mandar um e-mail para o “professor” no dia seguinte, falando tudo o que ele comentou, as comparações, os comentários machistas, e depois encaminhei tudo para o coordenador do curso.

Também conversei com alguns outros professores, mas infelizmente eles me deram a seguinte resposta: “Acho que você se precipitou e não entendeu o que ele realmente queria dizer…“. Fui então conversar com o Professor Camara, que eu gosto e confio, aquele que me passou o site das meninas programadoras. Ele sim, finalmente disse que eu fiz o certo em falar com o palestrante, e depois como não obtive retorno, falar com o coordenador do curso, e reafirmou que não gostou nem um pouco dos comentários da palestra. Ainda bem que existem professores como o Camara.

Resolvi então conversar novamente com o coordenador do curso, e ele me informou que deu uns toques no professor da palestra. Disse para ele tomar mais cuidado com os comentários que faz e coisa e tal. Melhor que nada, né?

Agora ainda sobre o Professor Camara, como de costume uma vez aconteceu uma discussão em um dos grupos de trabalho de sala de aula. Um dos alunos virou para uma amiga minha, antes deu chegar, e começou a falar que curso de T.I. não era para mulher, que ela não tinha capacidade e coisas assim. Ela perdeu o chão, começou a chorar e falou para o professor que não iria mais apresentar o trabalho. Conclusão, tivemos que apresentar sem ela e ela ficou sem nota. Mas no dia do exame final ela resolveu conversar com o Professor Camara. Como sempre, ele falou um monte de coisas boas para ela, que quando ela escolheu esse curso sabia que iria passar por dificuldades, que a próxima vez que alguém falar que ela não tem capacidade, que ela então use isso para ralar ainda mais, estudar e correr ainda mais atrás do prejuízo… Ele deu muito incentivo. Ela ficou de dependência na matéria mas depois ela deslanchou, levantou a cabeça e foi ralando cada vez mais a cada semestre.
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E tem mais histórias do Professor Camara. Quando ele fazia faculdade, tinha umas duas mulheres na sala dele, o resto eram todos homens. As alunas tinham que entrar na sala antes dos alunos para que eles não ficassem enchendo o saco delas… Mas como sempre, tinha um cara do fundão que chamava insistentemente uma das alunas de “gostosa”. A coitada já ia até trancar o curso, mas pelo incetivo do pai, ela continuou. Mas no próximo dia que o cara do fundão chamou ela de gostosa, ela bateu de frente com ele e falou que era gostosa sim “e daí, babaca?”. Depois disso, eles passaram a “respeitar” as alunas. É como o Camara sempre fala, por mais que seja difícil, a gente tem que encarar o problema de frente e não desistir!

Decidi então que não vai ser esse tipo de homem que vai me fazer desistir da Tecnologia ou parar por aqui. Fiz de todos esses comentários absurdos um motivo a mais pra disputar com esses machistas patéticos e mostrar que sou muito mais extraordinária que eles!

É isso. Quis compartilhar aqui a minha história com vocês. Espero que ajude a outras por aí.

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