16402837_10154762063875236_6192680942013465490_o

16487590_10208614085889088_2778511236520200600_o.jpg

16487157_1319988278023587_6609253497754174766_o.jpg

16473553_10154761864415236_246544872630958628_n.jpg

16487157_1319988278023587_6609253497754174766_o

16487157_1319988278023587_6609253497754174766_o

ariane-women-up-6.jpg

4670399282163435591-account_id=1.jpg

1108634591036153251-account_id1

3736049229172157792-account_id=1.jpg

4298074530048504951-account_id1

5973168341988119715-account_id=1.jpg

16487116_1249553848413353_5655149649408403988_o.jpg

16665317_1328293383859743_6836949070089510973_o.jpg

16487157_1319988278023587_6609253497754174766_o

Juliana_CP-795x527.jpg

9195012618522418150-account_id=1.jpg

158581658071522624-account_id=1.jpg

c2nolxmwqaandoe

5287635844538982982-account_id=1.jpg


Matéria na Folha de São Paulo!!
http://www1.folha.uol.com.br/tec/2017/02/1855418-ciberfeministas-se-organizam-para-incentivar-mulheres-na-carreira-de-ti.shtml

Ciberfeministas se organizam para incentivar mulheres na carreira de TI

17033267.jpeg

Uma modelo passa em trajes curtos e apertados de uma fantasia de personagem de videogame pelo corredor da Campus Party, uma espécie de ninja verde com máscara de cetim, para a qual as câmeras apontam e os cotovelos indicam. Apesar da atenção dedicada dos homens presentes, não é esse o papel que as mulheres querem ocupar em um evento de tecnologia.

Na dianteira do ciberfeminismo, como resolveu se chamar a militância das mulheres para ocupar mais protagonismo e respeito na área de TI, estão grupos que querem debater e empoderar garotas a meter a mão no teclado e desenvolver projetos .

As Arduladies vieram para a feira ensinar como criar projetos com Arduíno, uma pequena placa de circuito eletrônico controlada por software. “Já trabalhei com uma equipe de 160 pessoas, e só duas mulheres”, conta a programadora Cristiana de Oliveira, uma das integrantes do grupo.

Isabela Mendes, técnica em eletrônica e entusiasta do Arduíno, afirma que a ausência das mulheres na tecnologia remonta à educação infantil, quando são separados quais são os brinquedos de meninos e meninas. O computador e o videogame sempre são atrelados ao gênero masculino.

“Se a escola mostrasse todas as opções e não restringisse as escolhas das meninas com esse papo de mulheres fazem Humanas, homens, Exatas, teríamos mais presença na área”, comenta, enquanto Valentina, 3, filha de uma das meninas do grupo se esgueira por baixo da mesa com dezenas de CPUs.

Há 26 anos no mercado de TI, a programadora Alline Oliveira diz que já ouviu e sofreu todo tipo de assédio no trabalho. Hoje ela mantém o blog “Machismo em TI”, que reúne relatos de mulheres que enfrentam o mesmo tipo de problema e também fomenta o debate. ” Percebi que falta falar sobre o assunto, expor os casos, dar apoio jurídico para quem passa por esta situação”.

Ela vê mudanças na presença das mulheres no mercado, mas joga luz sobre outro problema: “Vejo que existem mais mulheres sim, mas por décadas eu tenho tentado mostrar que é possível trazer mais meninas para a TI e essa não parece ser a questão. O problema é retê-las na área”.

FICA, VAI TER FUTURO

A permanência das mulheres na tecnologia é uma das lutas do ciberfeminismo. Segundo as entrevistadas, é comum que muitas desistam ainda durante os estudos ou no início da carreira. Para a jornalista Iana Chan, da PrograMaria, as empresas perceberam o valor de ter uma equipe diversa, mas não sabem como lidar com a questão. “Contratam mulheres, mas elas não se sentem acolhidas no ambiente e acabam indo embora”, comenta.

A programadora Daniela Palumbo, do Pyladies – que desenvolve workshops e oficinas da linguagem Python para mulheres – conta que sua turma da faculdade, que segundo ela já era recordista por ter dez mulheres na sala, foi minguando ao longo dos anos. “Muitas mulheres não têm um referencial dentro da tecnologia, isso desanima. A chave para ela saber que é possível é ter um modelo em quem se espelhar”.

Esse personagem para se inspirar, chamada de “role model”, é apontada como uma ferramenta de aproximação das mulheres não só com o tema, mas com a possibilidade de uma carreira de sucesso na área.

Samanta Lopes, do Reprograma, que também atua na mentoria de projetos de startups, traz mulheres em cargos de diretores para conversar em sala com garotas em começo de carreira. “Quebra o paradigma de que uma carreira de sucesso em TI é algo inalcançavel, reservado a pessoas que são pontos fora da curva, Isso humaniza a liderança”, conta.

A astrônoma brasileira Duilia de Mello, que esteve na Campus Party para u ma palestra no palco principal, diz que meninas que não se inspiram em outras, acabam se intimidando. “Nós precisamos dizer para elas fazerem ciência, não porque é legal, porque é empoderador, mas porque é possível, porque ela quer e pode”.

Nas mesas de workshops e hackatons é nítida a presença de muitas mulheres na Campus Party, mas para as ativistas, ainda é um passo pequeno. “Dá para perceber muito mais mulheres em relação ao ano passado, me orgulha muito, mas a mudança real do mercado ainda leva tempo”, comenta Alline, do blog “Machismo em TI”. Ela espera que dentro de 5 a 10 anos, o mercado de TI seja 40% de mulheres.


Duília de Mello, professora nos EUA, pesquisadora da Nasa, já descobriu uma supernova, falando na Campus Party

http://g1.globo.com/tecnologia/campus-party/2017/noticia/mulheres-acham-solucoes-que-homens-nao-conseguem-diz-pesquisadora-brasileira-da-nasa.ghtml

campus-party-duilia.jpeg
Você não pode ser o que não pode ver. E é justamente por isso que as mulheres precisam do seu espaço de direito na ciência e em todas as áreas do saber: para motivar meninas a seguirem seus sonhos.

“É preciso ver mulheres bem-sucedidas para saber que se pode conseguir”, disse Duília de Mello, um dos maiores nomes brasileiros na astronomia, nesta terça-feira (2) na Campus Party 2017.

“É importante que 50% dos cientistas seja mulher porque a sociedade é assim. As mulheres são diferentes dos homens, e encontram soluções que os homens não conseguem”, afirmou.

Ideias sem gênero

Professora e vice-reitora da universidade PUC, em Washington (EUA), Duília de Mello enfrentou um meio predominantemente masculino durante a sua carreira, que inclui pesquisas para a Nasa e a descoberta de uma supernova (a explosão de uma estrela) em 1997.

“Eu só notei que era minoria quando saí do Brasil [para os EUA]. Eu não sabia da problemática da mulher ser considerada burra até mesmo quando ela é uma cientista”, disse a professora.

Ela comenta também os motivos para ter abandonado algumas de suas classes para assumir a vice-reitora da universidade – “quando o reitor me ofereceu o cargo, aceitei também para mostrar que as meninas podem chegar onde quiserem” – e de como a própria Nasa e a equipe do satélite Hubble tem lutado para trazer mais igualdade para a astronomia.

“Eu sou latina, falo com sotaque, mas sempre me senti muito bem-vinda e admirada na Nasa. E agora os projetos que são enviados para lá e para o Hubble não vem com os nomes dos autores, mas da equipe. Para o projeto não ser julgado por ser de um homem, mulher, jovem ou velho”, ela conta. “É importante apoiar minorias. E no caso da ciência, mulheres são minoria. Obama e Michelle estudaram em duas das maiores universidades dos EUA porque existiam cotas. Então funciona”.

A pesquisadora lembrou de “Estrelas além do tempo”, filme que conta a história de um trio de mulheres negras trabalhando no programa espacial americano em plena Guerra Fria. “A Nasa é branca. Elas abriram muitas portas que ainda hoje continuam fechadas”.

Fatos alternativos

Duília de Mello também comentou o crescimento das “fake news”, ou notícias falsas, e como esse problema afeta a ciência. “Eu falo para os meus estudantes que eles têm que checar a fonte. Saiu em uma revista de alto conceito? Em artigos com vários autores? Geralmente quando o link tem ‘.edu’ é de uma universidade. Aí você pode confiar. Esse é um dos nossos grandes dilemas”.

“A Superlua não é mentira, ela só foi aumentada porque o jornal quer vender. Para nós é bom porque faz as pessoas olharem para a Lua de novo”.

Ela falou ainda do boato recente de um asteroide que iria se chocar com a Terra. “O que a gente faz? Tem gente que não é instruída e acredita, tem medo. E é difícil de chegar neles porque não acreditam na gente. Preferem acreditar em quem tem contato diário, e não em um estranho que dedica a vida a estudar aquilo”.


http://link.estadao.com.br/noticias/cultura-digital,em-busca-de-diversidade-campus-party-reune-mais-mulheres,70001650617

Em busca de diversidade, Campus Party reúne mais mulheres

Quando participou da Campus Party no ano passado, a carioca Letícia Bacelar, de 19 anos, estava se sentindo sozinha. Apesar de ter vindo numa caravana com amigos, ela era a única mulher em um grupo de 17 pessoas vindo de Campo do Goytacazes, no Rio de Janeiro. “Era muito estranho ser a única mulher na caravana”, conta. Dessa vez, a situação mudou: na caravana vinda da cidade interiorana do Rio de Janeiro e formada por cerca de 40 pessoas, 15 são mulheres.

“É só olhar ao seu redor na Campus e ver que a situação está mudando”, afirma Letícia, que está em sua segunda edição do evento. “Mulheres estão se interessando mais por tecnologia e se sentindo mais confortáveis em eventos como a Campus Party. É natural que aumente o número de meninas com o passar dos anos e das edições.”

A aposentada Maria Margarete, de 57 anos, é prova da diversidade entre o grupo de campuseiros que participam do evento. Margarete veio para a Campus pela primeira vez há quatro anos, por insistência de uma amiga. No começo, ela se sentiu incomodada com a ausência de outras participantes do sexo feminino.

Hoje, ela já sente que o comportamento da própria organização da feira em relação às mulheres e também dos campuseiros mudou. “As mulheres estão evoluindo muito em termos de participação e inclusão de eventos como este. Elas estão mais ativas, mais participativas e mais interessadas”, diz a aposentada. “Com isso, me sinto ainda mais confortável para interagir, conversar, conhecer pessoas, assistir as palestras.”

Voz. De acordo com a organização da Campus Party, cerca de 40% do total de 750 palestrantes são mulheres — há alguns anos, o número chegava a apenas 5% do total. Uma das pessoas que está ajudando a mudar essa realidade é Alda Rocha, ativista feminista do setor de tecnologia e palestrante de um painel sobre design. Para ela, é importante ver mais mulheres na programação oficial.

“Participo da Campus há nove anos e estou vendo as mulheres mais confortáveis”, diz Rocha. “Estamos nos sentindo mais seguras na hora de subir em um palco e isso é uma forma de mostrarmos que as mulheres estão aqui, que estão participando.”

Alda Rocha é palestrante na Campus Party Brasil e comemora o aumento da presença feminina

Para algumas campuseiras, a participação ainda precisa aumentar. “Eu não vejo mulheres em palestras mais técnicas”, diz a publicitária Marina Ferigolo, brasiliense e que está em sua primeira edição da Campus Party. “Me surpreendi com o grande número de mulheres na própria Campus, mas ainda acho que faltam meninas em painéis. Isso me incomodou um pouco.”

Machismo. Apesar do aumento na presença feminina, campuseiras reclamam do ambiente essencialmente masculino e, muitas vezes, hostil à presença das mulheres. A brasiliense Fernanda Amador, de 26 anos, por exemplo foi vítima de tuítes agressivos de campuseiros após questionar a marca Gilette no Twitter a respeito de uma promoção direcionada somente para homens que participam na Campus.

“Me senti muito desrespeitada”, afirma Fernanda, que está em sua primeira edição do evento. “Os homens da Campus ainda acham que aqui é apenas para eles, mas não é assim. A tecnologia permeia todos os públicos e tem que ser inclusiva para todos eles. Acho que eles precisam entender isso e a Campus, por outro lado, precisa mostrar como essa diversidade é algo natural.”

Em nota enviada ao Estado, a Gilette esclarece que todos os participantes da Campus Party receberam o produto Mach3 no kit de boas vindas dos campuseiros. “Reconhecemos, no entanto, que a mecânica do sorteio foi equivocada e a participação deveria ser aberta a todos os participantes, por isso estamos modificando a mesma. Nos desculpamos com aqueles que se sentiram prejudicados”, afirmou a marca.


http://economia.estadao.com.br/blogs/adriana-salles-gomes/mulheres-avancam-na-tecnologia-no-brasil/

Mulheres avançam na tecnologia no Brasil

A Campus Party Brasil completou dez anos na edição encerrada no último domingo lá no Anhembi, em São Paulo. Em seu primeiro ano (2008), 100 mulheres a frequentaram – o equivalente a 3% do total de campuseiros. Em 2017, foram cerca de 3.200 mulheres, 40% do total. Um mega aumento, QUASE MEIO A MEIO. Houve avanço até em relação a 2016, quando 2.880 mulheres deram as caras por lá (36% do total). Isso sem contar as palestrantes, bem representadas nos vários palcos.

(Esperem, daqui a pouco explico a foto acima.)

Mesmo que não traduza empregos ou renda, esse é um indicador importante do futuro próximo e uma conquista e tanto. Em primeiro lugar, a tecnologia funciona como um acelerador para quase tudo, inclusive para derrubar barreiras e igualar oportunidades para homens e mulheres. Em segundo lugar, como o trabalho de tantas organizações não governamentais já mostrou, ao impactar uma mulher, você não muda só a vida dela, mas costuma mudar a vida de toda a sua família e da comunidade de que ela participa – o efeito de rede é maior do que no caso dos homens. Em terceiro lugar, porque a tecnologia, especialmente a digital, está fazendo diferença em qualquer setor de atividade que a gente observe, da medicina à indústria, da educação aos serviços e à agropecuária. Estar distante da tecnologia digital, em última análise, significa estar distante da economia do século 21.

A conquista merece ser celebrada ainda (ou talvez principalmente) porque representa, no Brasil, o sucesso do esforço de mobilização feminina no contra um quadro adverso. Apenas 15,53% dos alunos de cursos relacionados à computação são mulheres; 79% das alunas dos cursos relacionados com TI desistem no primeiro ano e 41%das mulheres que trabalham com tecnologia acabam deixando a área, em comparação com apenas 17% dos homens.

Não foi só lá fora se formaram vários grupos de mulheres de TI (PyLadies, MariaLab, TechMums, Code Girl etc.); aqui temos vários, entre os quais a plataforma MasterTech, o blog Meninas na Computação, a PrograMaria (onde peguei os dados acima) e o programa 50+. E os role models não só americanos, como as executivas Ginni Rometty (CEO mundial da IBM) e Sheryl Sandberg (COO do Facebook); temos role models brasileiros, ainda que menos midiáticas, como as empreendedoras tech Camila Achutti, a Iana Chan e a Tássia Chiarelli.

(Ainda não chegamos à foto acima.)

Cito esses casos específicos porque os conheci mais de perto no ano passado, no Fórum Empreendedoras, e vou contar um pouquinho do ativismo delas e do porquê de serem role models.

ROLE MODELS E ATIVISTAS

Camila é a role model por excelência, articulada, divertida, inspiradora até não poder mais. Formada em ciência da computação pelo IME-USP e com estágio disputados na bagagem (no Google em Mountain View e no CTH – Centro Tecnológico de Recursos Hídricos e Hidráulica do Estado de São Paulo), ela fundou duas startups promissoras. A Ponte 21, que tem o Google entre seus clientes e promete acelerar a inovação das empresas (inclusive as estabelecidas) criando um MVP (produto mínimo viável, na sigla em inglês) em oito semanas. E a MasterTech, uma plataforma de desenvolvimento contínuo de habilidades do século 21 com cursos imersivos em tecnologia, marketing e design, coisas tipo internet das coisas, scrum etc., presenciais e online, para pessoas físicas e corporativos.

Do lado da mobilização, a Camila agita as coisas por meio do blog Mulheres na Computação, que é referência para muita gente nessa área e é embaixadora do Technovation Challenge Brasil, um desafio de tecnologia e empreendedorismo só para garotas.

Iana, jornalista, é role model porque fez a passagem – diferentemente da Camila, que era filha de programador, Iana cresceu num sítio e migrou para o mundo da tecnologia. E ela é Community Manager da Liga Ventures, uma aceleradora totalmente dedicada a conectar startups e grandes empresas.

Como mobilizadora, Iana fundou, sem fins lucrativos, a PrograMaria, iniciativa que visa empoderar mulheres por meio da tecnologia e da programação trabalhando três pilares: inspirar, debater (a falta de mulheres no ambiente tecnológico) e fazer aprender.

Tássia, gerontóloga, é role model porque foi uma das ganhadoras do concorrido prêmio Mulheres Tech em Sampa de 2015, faz mestrado em gerontologia pela USP e fundou a startup OPA – Orientação Particular e Acompanhada, que atende ao público que envelhece, transformando seu tempo disponível em oportunidade, como diz seu slogan (e, assim, soube ligar a tecnologia a uma megatendência demográfica). O que a OPA faz é organizar eventos com idosos, visitas a museus, idas ao teatro, cursos, palestras Outra coisa bacana da Tássia é ela estar indo além, estudando as relações sociais dos idosos no contexto do Facebook.

No aspecto ativismo, Tássia lidera o projeto “Mulheres 50+ em Rede”, um curso de capacitação digital gratuito para empreendedoras a partir de 50 anos de idade.

(E a foto lá do alto?)

OBSTÁCULOS E
O QUE FAZER A RESPEITO

Em um debate durante o Fórum Empreendedoras 2016, as três deixaram claros os obstáculos das mulheres na área tecnológica: (1) elas têm de provar competência dez vezes maior do que os homens para se firmar nas carreiras de tecnologia e ainda ganham 80% do que eles ganham; (2) quando um homem erra, é normal; quando uma mulher erra, ela compromete todas as mulheres, o que representa uma enorme pressão; (3) há dois problemas principais: dificuldade de inserção e de dificuldade de ascensão.

As medidas para vencer esses obstáculos têm de ser gerenciais e comportamentais. Entre as gerenciais, estão o incentivo à contratação de profissionais mulheres para os cargos de TI (por exemplo, a presidente da Microsoft Brasil, Paula Bellizia, exige que haja sempre mulheres entre os candidatos a cada vaga), investimentos financeiros para as mulheres em TI (bolsas para estudarem, como faz o Women in Technology Summit, ou premiações por desempenho e conquistas).

Do lado comportamental, o ambiente deve ser receptivo à diversidade, acolhedor até, em vez de favorecer apenas o tipo nerd Star Trek. E, mais importante, mulheres – e homens – não devem silenciar diante das piadinhas e manifestações sexistas contadas no meio tech (há quem relate até cenas de bullying), vencendo o medo de ser desagradável,de parecer politicamente correta demais, ou mal-humorada, de ser vista como alguém que se vitimiza ou patrulha.

Por exemplo, Camila costuma responder às piadinhas que ouve contando histórias de mulheres bem-sucedidas em tecnologia como a austríaca Hedy Lamarr (1914-2000), a famosa atriz de Hollywood da foto de abertura (AGORA, SIM!) que é considerada a mãe da telefonia celular.

Sabia dessa? (Eu não sabia até há pouco tempo.)

MAIS INSPIRAÇÃO

A leitora (ou o leitor) quer fazer como a Camila e se posicionar em relação aos comentários estereotipados e sexistas que tornam o ambiente de trabalho inóspito para mulheres, especialmente na área tech? Se sim, a bela Hedy Lamarr é um prato cheio. Ela desenvolveu, com George Antheil, o que chamava um “sistema de comunicações secreto” – umaequipamento transmissor de rádio que, sincronizado com outro receptor similar, podia ir mudando de freqeência se ambos estavam sincronizados na época da Segunda Guerra Mundial. Isso permitia evitar que o inimigo pudesse receber a comunicação e é considerado a tecnologia-base para o GPS, o wi-fi e a telefonia celular como um todo.

Mais um item para seu repertório? Ada Lovelace (1815-1852), condessa e filha do célebre Lord Byron, é considerada a primeira programadora do mundo, ou seja, a primeira pessoa (não mulher, pessoa) a casar as capacidades matemáticas de máquinas computacionais com as possibilidades de aplicação com imaginação.Ela fez um complemento para o Mecanismo Analítico de Babbage escrito em 1843, em que delineou quatro conceitos que moldariam o nascimento da computação moderna um século mais tarde. O primeiro dos conceitos foi o de uma máquina capaz não só de executar tarefas pré-programadas como de ser reprogramada para executar uma gama praticamente ilimitada de operações – qualquer semelhança com o computador moderno não é coincidência.

Telefonia celular e computador têm os dedos de mulheres. Fora isso, você pode ir assistir ao filme Estrelas Além do Tempo, que entrou em cartaz, e a série Bletchley Circle na Neflix, que não é real, mas inspirada em mulheres analistas reais do Bletchley Park, o lugar onde os ingleses decifravam os códigos dos alemães durante a Segunda Guerra.

Eu estava na Campus Party e senti na pele a mudança – quantitativa e qualitativa. Não só as mulheres compareceram em peso, claramente, como sua presença se fazia notar. Silenciosamente (ou nem tanto), as coisas estão mudando.

Anúncios