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https://www.linkedin.com/pulse/precisamos-falar-mais-sobre-mulheres-e-vanelly-ferreira

Entre os dias 02 e 04 de dezembro participei do Startup Weekend Women São Paulo. Foi uma experiência incrível. 75% dos participantes (competidores, organizadores, mentores e jurados) eram mulheres, mas certamente 100% era #GirlPower!

Antes de qualquer coisa, não sou nenhuma feminista reacionária. Apenas luto, com as minhas ações diárias, para obter o respeito que qualquer ser humano merece e a meritocracia que todo profissional deveria almejar.

Esse assunto de novo?

Sim! De novo e quantas vezes mais for necessário. Na verdade, acho que ainda será por um bom tempo, até que o respeito prevaleça e o lugar das mulheres frente a algo seja interpretado de forma mais natural na sociedade.

Não fui às ruas pedir por revolução, não queimei soutien, tampouco fui eu a responsável por conseguir às mulheres o direito de votar. Apesar disso, agradeço profundamente quem os fez. Não consigo me imaginar vivendo em outra época, porque até nesta está bem complicado!

O que me motivou a escrever sobre esse assunto aqui

Oi, prazer! Sou a Vanelly. Tenho 29 anos (mais para os 30 que para os 29, confesso) e trabalho desde os 18. “Grande coisa”, você deve ter pensado. Sim, eu sei que muitas pessoas precisaram ou apenas decidiram trabalhar muito antes disso. Meu pai, inclusive!

Também sei que fui privilegiada por ter estudado nos melhores colégios, fazer cursos diversos e ter minha agenda ocupada de atividades durante todos os dias, enquanto criança. Agradeço profundamente por isso.

Porém, apesar de ter crescido com os ensinamentos em casa para me desenvolver como profissional e não depender de homem algum para comprar nem mesmo um absorvente para mim (palavras do meu pai), sou vítima do machismo até mesmo dele – mesmo que não seja proposital ou que ele se atente a isso.

Vamos falar sobre empreendedorismo

Ainda na faculdade eu aprendi que empreender não está ligado a abrir uma empresa (CNPJ), mas a um comportamento de ação – o clichê da proatividade que tantos usam em vão. Se você jogar no Google, encontrará a seguinte definição:

Empreender (verbo transitivo direto):

  1. decidir realizar (tarefa difícil e trabalhosa); tentar.
  2. pôr em execução; realizar.

O que me motivou a escrever sobre esse assunto aqui [2]

Na semana passada, em meio a minha rotina multitask – que por sinal costuma ser melhor realizada por nós, mulheres-, recebi o telefonema de um parceiro. O assunto era um projeto que trabalhamos juntos.

Tanto a notícia quanto o convite recebidos foram maravilhosos. Fui de 100 a 350km/hora em segundos! O próximo passo seria acompanhar a thread do e-mail sobre o tema para darmos continuidade.

Abri a caixa de entrada e assim o fiz. Ao ler toda a conversa, me deparei com um “(…) ele já encontrou uma mulher (Vanelly) para o trabalho(…). Após uma “pausa para pensar”, respirei fundo e respondi o e-mail tranquilamente, como se não houvesse nenhuma priorização de sexo na frase, em vez de uma profissional.

Vamos falar sobre empoderar mulheres

Estamos dando alguns passos largos no decorrer dos anos. Porém, estes passos ainda são lentos e não têm acompanhado a velocidade que digito este texto, que o meu colega foi promovido, do grito “gostosa” que acabei de escutar na rua, tampouco que eu gostaria que as mudanças ocorressem. Mas tudo bem! Enquanto os outros extraterrestres não voltam para me resgatar, continuo trabalhando diariamente nos meus projetos.

Mais do que falar de disputa de ego no ambiente de trabalho, precisamos falar sobre empoderar mulheres. E nós, mulheres, precisamos parar de dizer que é complicado trabalhar com nós mesmas e começar a empoderar umas as outras.

Quando falo isso, não estou dando indireta a ninguém, senão a todo mundo. Quando eu digo “todo mundo” eu me refiro inclusive a mim mesma – levei um puxão de orelha este final de semana, refleti, prometi não repetir e decidi compartilhar com você também!

No dia a dia, encaramos diversas batalhas contra uma sociedade com resquício de machismo atenuado e a culpa, em alguns casos, é de nós mesmas. Sim! De apontar, de criticar, de virar a cara em vez de conversar umas com as outras. Ou pior: de apontar, de criticar, de virar a cara em vez de aceitar críticas como algo construtivo.

O que me motivou a escrever sobre esse assunto aqui [3]

Como disse no início do texto, participei no primeiro final de semana de dezembro do Startup Weekend Women SP, uma iniciativa para ensinar pessoas a conhecer técnicas e desenvolver habilidades para empreender (e não para sair de lá com uma startup em estágio Go to Market, como alguns pensam).

Diferentemente do modelo tradicional, esta edição prioriza – mas não se restringe – as mulheres. Eram poucos os homens nos grupos, mas eles estavam ali acreditando em nossas ideias e trabalho.

Em meio às atividades, somos expostos às fases de validação, que incluem tanto a ideia quanto o produto – dentro de suas limitações, é claro. Por isso, elaboramos questionários para compartilhar em grupos alinhados ao perfil que buscávamos (ou não, porque nosso público é bem amplo e preferimos espalhar a palavra da Poinc, mesmo que ainda indiretamente, por todos os lados) e fomos às ruas entrevistar pessoas em profundidade.

Quando peço ajuda a alguém (nesse caso, milhares de pessoas dos grupos de Facebook, whatsApp, Linkedin, etc), faço questão de agradecer um a um aqueles que dedicaram o seu tempo não apenas respondendo, mas dando feedback ou apenas avisando tê-lo feito – mesmo que apenas com um “like”.

Em meio a um dos diversos comentários recebidos, vejo um em destaque ‘”Startup Women” – Você vê que startup virou joguinho quando tem até modalidade’. Não tive muito tempo para refletir sobre aquela frase, pois outras várias pessoas já o tinha feito por mim.

A história em seguida você já deve imaginar: defensores e opositores ao ‘ponto de vista’ nada gentil daquele famoso personagem “quem não ajuda, pode atrapalhar pra caramba”!

Vamos falar sobre mulheres e empreendedorismo

Vou deixar de lado tudo referente ao que já estamos cansados de saber, mas mesmo assim a sociedade insiste em seguir no caminho errado (salários discrepantes para sexos diferentes em cargos iguais, etc).

Apesar dos pesares, iniciativas como esta que participei, onde voluntárias se disponibilizam e se esforçam para empoderar mulheres no mundo dos negócios, transformando-as em empreendedoras, são de ‘tirar o chapéu’.

São pessoas que acreditam que cérebro não tem peito, bunda ou sexo, mas que enxergam a necessidade de fomentar um movimento para ampliar as perspectivas de um futuro melhor para nós – o quanto antes.

O que me fez abrir o Linkedin e escrever sobre esse assunto aqui

Dando continuidade ao meu relato anterior [3] de “motivos que me motivaram a escrever sobre esse assunto aqui”, em meio às diversas defesas na infeliz colocação de um dos participantes do grupo, uma em especial me chamou a atenção.

Com muita classe e embasada com dados, fruto de uma pesquisa da organização, a Rayanny Nunes, uma das facilitadoras e mentoras voluntária do projeto, trouxe à tona uma questão merecedora de reflexão: como os homens inibem as mulheres, em vez de ajudá-las a conquistar o seu espaço [veja o caso no MasterChef Profissionais 2016].

Não estou falando de agressão (verbal ou física), mas de ações imperceptíveis aos olhos de uma sociedade machista, já acostumada a agir preconceituosamente, mesmo que sem perceber.

Em seu relato, Rayanny apontou que, antes da iniciativa dedicada às mulheres no Startup Weekend (mas lembrando que não exclusiva a elas), o percentual da participação feminina no evento tradicional era de 12% apenas.

Ao questionarem a estas mulheres o motivo, o principal apontado foi que “elas não se sentem confortáveis em um ambiente predominante masculino, isso porque vivemos em uma cultura machista (e isso é realidade) que as subjugavam por seus corpos ou as colocava em funções menos importantes na Startup”.

Programas de incentivo e sua real importância

Estou falando aqui apenas de uma das centenas de iniciativas que incentivam mulheres no mundo todo a deixar de lado o medo e o preconceito da sociedade para aprender e empreender.

Eu, particularmente, sou contra programas de incentivo em geral – aqueles que “dão o peixe” ou privilegiam um determinado grupo que não consegue reagir sozinho. Mas reconheço a necessidade e a importância como medida paliativa – por isso (e outros motivos) escolhi a edição Women para a minha primeira participação.

Para explicar o meu posicionamento sobre o assunto, a própria Dayanny deu continuidade, em seu argumento, ao que acredito ser a real importância de programas de incentivo em geral – mas contextualizando à questão em voga no relato: “o Women é a porta de entrada para muitas mulheres e isso é um fato comprovado em números e depoimentos (…). Não queremos prolongar a vida do Women, esperamos muito em breve chegar aos 50% de participação que tanto almejamos e ele não será mais necessário, porque a mudança de cultura já vai ter solucionado essa diferença”.

Ela ainda traz a informação, para o nosso orgulho, de que a participação de mulheres no evento principal (unissex) já é superior a 35% e muitas empreendedoras foram formadas ali.

Por isso, deixo aqui a reflexão não apenas como incentivo às mulheres, relato de experiências vivenciadas ou divulgação da iniciativa (que é incrível e toda mulher precisa participar), mas também para os homens refletirem sobre sua responsabilidade na sociedade para mudar este panorama.

Assim com a Dayanny, eu espero que todos possam um dia “contar com a competência de uma mulher na sua equipe”! 😉

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“Yahoo! investment increased in value 20% under Carol Bartz and an impressive 224% under Marissa Mayer, who was a beneficiary of the increasing value of the interest in Alibaba purchased by Yahoo! founder Jerry Yang.”

Women-led companies perform three times better than the S&P 500

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You want to invest in women? Really?

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